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E, como disse Drummond, "o inverno é quente em mim, que o estou berçando e em mim vai derretendo este torrão de sal que está chorando."
Escrito por Clara Crocodilo às 01h42
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08º
Depois de vários descaminhos, ele bate à minha janela e, sussurrando, pede permissão para entrar. Meu sorriso é a senha. De mansinho, munido de vinhos e ventos, escorrega para minha cama. Quando pisco os olhos, encantada, ele já está passeando pela casa inteira, abusado e sedutor. E eu o acolho, entre brincadeiras sonolentas e delícias despertas, durante uma estação inteira. É meu velho conhecido, justifico.

Escrito por Clara Crocodilo às 01h09
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Além do Vapor Barato Senhor dos Sábados Jards Macalé/Wally Salomão
Uma noite noites noites em claro noites em claro não matam ninguém mas é claro, perdi a razão gritei seu nome por toda a parte do edifício em vão quebrei vidraças da casa estilhaços de vidro espatifados no chão risquei paredes do apartamento com frases roucas de paixão ah que noche mas nochera ah que noche mas ... Dentro da escuridão do quarto rasguei no dente seu retrato minha alma ardia, meu bem... Volte cedo antes que acenda a luz do dia apague meu desejo num beijo bem bom meu bem, volte cedo meu bem, volte bem cedo
Escrito por Clara Crocodilo às 00h22
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Carbonos Perfeitos?
Depois de assistir a várias apresentações ao vivo, passei a gostar. A performance do Pedro Verissimo me conquistou, principalmente em palcos pequenininhos (não-palcos), onde ele fica em casa. Contido e intenso. Até hoje só ouvi uma música gravada: a versão de "Verdes Anos", do Nei Lisboa, que eles fizeram pro álbum "Baladas do Bom Fim". Ficou supimpa, rapazes. Uma das melhores versões do disco, sem dúvida. Demorou, mas está saindo do forno o primeiro CD da Tom Bloch. Época ideal, pois o bom é ouvir essas canções no outono e no inverno, quando as noites são mais longas e as conversas são em tom mais baixo. Peço aos deuses da música que eu não fique desapontada com as gravações em estúdio, porque os shows já foram (a)provados.

Escrito por Clara Crocodilo às 20h39
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"Não há nada do que se envergonhar, garota"

Jurei que dormiria "cedo", mas mudei de canal e quase não acreditei no que vi: os créditos iniciais de The Warriors. Maravilha! Entretenimento de primeira. Filme da minha adolescência, muito discutido nas mesas do Lola com John e outras figuras ilustres da fauna bonfiniana. O filme é de 79, e não lembro quando e como foi a primeira vez que assisti. Mas lembro que, depois da primeira, nunca mais perdi uma exibição, geralmente nas madrugadas da Sessão de Gala. O problema era lembrar, em meio aos copos intermináveis de cerveja e cachaça de semente de guaraná (ou abacaxi ou catuaba ou mel, ou-ou-ou), o nome de todas as gangues e as características de cada uma delas. Fora a comparação dos carecas deles com os nossos, Oi! Cena mimosa: o bambambã dos Warriors e sua menina estão detonados e sujos, sentados no metrô, depois de atravessar meia New York City, quando entram dois casaizinhos arrumados, limpinhos e felizes, tipicamente americanos. A menina, constrangida com seu estado trash, tenta se arrumar um pouco, ajeitando os cabelos com as mãos imundas. O chefão Warrior a impede, dizendo: "Não há nada do que se envergonhar, garota". E, depois, ainda presenteia a namoradinha com a flor que a arrumadinha deixou cair. Quem disse que não existe romantismo no submundo?
P.S.: depois de um determinado ano, sempre lembro de como me senti Warrior - tupiniquim, of course - na Praça da Sé, tentando chegar à estação do metrô, fugindo de uma briga alheia que rolou num boteco ali do lado e que estava a uma garrafada de nos atingir. Quando desci as escadas rolantes da estação e passei voando pela catraca, pensei: "Estou em Coney Island". Mas não ganhei flores. Também, quem manda não usar Impulse?
Escrito por Clara Crocodilo às 02h00
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Enfin, bonne nuit

Escrito por Clara Crocodilo às 03h01
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Achados e perdidos Por que eu anoto coisas e mais coisas e mais coisas e mais coisas em papéis soltos, bilhetinhos, pedacinhos de folhas, margens de trabalhos, post it que desgrudam, contracapa de livros, bloquinhos pequenos, guardanapos de bar, talão de cheques, etc, etc, etc, se nunca consigo encontrar quando eu preciso? Só pode ser fraqueza de caráter. Ou pra achar, por acaso e agradavelmente, palavras que eu dava por perdidas. Reecontro. Reconciliação. Prometo não perdê-las de novo, até a próxima vez.
Escrito por Clara Crocodilo às 02h48
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"E, então, era muito natural atravessar a rua, subir as escadas da ponte, dar mais alguns passos e aproximar-me de Maga, que sorria sempre, sem surpresa, convencida, como eu também o estava, de que um encontro casual era o menos casual em nossas vidas e de que as pessoas que marcam encontros exatos são as mesmas que precisam de papel com linhas para escrever ou aquelas que começam a apertar pela parte de baixo o tubo de pasta dentifrícia."
Um pouco mais de Cortázar, do mesmo Jogo da Amarelinha
Escrito por Clara Crocodilo às 02h23
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Das coisas que eu disse
- Nunca iria fazer um blog em toda a minha vida digital.
- De maneira nenhuma me livraria das minhas recordações.
- Jamais, depois dos trinta, escutaria bandas feitas por e para adolescentes.
- Em hipótese alguma me envolveria com homens que não chorassem (sem falar nos comprometidos).
- Nem fodendo venderia minha produção intelectual.
- Em tempo algum deixaria de sair em noites de lua cheia.
- Nunca, de maneira nenhuma, jamais, em hipótese alguma, nem fodendo, em tempo algum, nem completamente bêbada e/ou em estado de consciência alterado por drogas, paixões, vinganças, tristezas ou qualquer outra substância entorpecente, cantaria num videokê. . . .
Como diria o sáááábio Ritchie, a vida tem dessas coisas. Invalidei os seis primeiros itens, uns há muito e outros há pouco tempo. Resisto bravamente ao último, talvez pela força da união. Preciso de mais advérbios de tempo e de negação, e rápido! Antes que eu passe pelo vexame de lembrar, no dia seguinte, o quanto minha performance-pra-lá-de-dramática de Corazón Partío foi aplaudida.
Escrito por Clara Crocodilo às 02h16
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Passô, passô, passô...
Escrito por Clara Crocodilo às 01h54
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