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Além do que se vê
Ela mascava seu chiclete sutil e distraidamente no balcão do bar, em meio a goles de Cosmopolitan e tragadas de músicas soul.
- Que gosto tem?, perguntou ele, recém-chegado e com os olhos tão sedentos como uma tribo nômade do Saara.
- Experimenta., respondeu ela, entre ousada e blasé, certa de que ele se referia ao drink oferecido em sua mão.
Então, o esperado gole deu lugar a um beijo inesperado de intermináveis segundos. A mão dela, ainda com a taça, ficou parada no ar feito um beija-flor, em celebração ao inusitado. A mão dele já estava nas costas dela, tentando experimentar também a pele descoberta e tatuada. Sem falar nada, deixaram o drink sobre a bancada de mármore e foram dançar aquela música do Marvin Gaye. Passaram juntos essa e muitas outras noites e dias, desenfreadamente.
Ele sempre preferiu cerveja a qualquer tipo de drink, mas nunca disse nada sobre isso.
Ela tinha provado Cosmopolitan pela primeira vez naquela noite, e também nunca comentou esse detalhe.
Até hoje ela acha que ele se referia ao chiclete, já que não tocou na bebida. Ele nem notou a goma de mascar depois de se encantar por ela, quando ainda estava a metros do balcão.
A verdade é que o gosto que sentiram em suas bocas foi imbatível.
Escrito por Clara às 18h59
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